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Caminhada pela PAZ.
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Que sentimento é capaz de fazer uma multidão caminhar na mesma direção, com passos firmes, entoando cantos e empunhado bandeiras?
Muitos foram os abraços com o mesmo desejo e muitos foram os apelos. PAZ!
Apelos, porém, feitos talvez ás pessoas erradas. As pessoas de bem foram convocadas a viverem em paz, a buscar a paz, a transmití-la, a mantê-la.
Mas as pessoas boas já buscam, todos os dias, viver em paz, se escondendo atrás de muros e sobre andares cada vez mais altos, se ocultando atrás dos vidros escuros, se anulando nos miseráveis "bom dia", quase que sussurados, por medo do proprio vizinho. É a inversão de valores deste mundo que entre tantos outros erros, prende as pessoas erradas. Por isso, naquele dia, a palavra pulsante no meio dessa gente, a palavra certa e não dita, era outra. O sentimento que se via em todos os rostos era o único, talvez, capaz de atenuar as dores das perdas pelas quais se rezava e de tantas outras. JUSTIÇA!
Este é o sentimento que falta neste país, enquanto seu inverso há de sobra. A INjustiça paira sobre milhões de brasileiros, sobre milhões de lares de onde o pai saiu e não voltou, onde o filho foi assassinado, onde a irmã foi violentada, onde a mãe foi espancada. E enquanto não tivermos leis que de fato punam, as barbáries continuarão acontecendo. Enquanto nossos legisladores continuarem a virar rosto finjindo não ver, não existirão leis que disciplinem as condutas humanas. Deixemos de lado toda a questão social que desencadeia na violência desmensurada que existe entre nós, que muito "pano pra manga" daria e olhemos para a realidade nua e crua do nosso país: A violencia está aí! Os delingüentes estão entre nós. Os ladrões, os assassinos, os estupradores. Nós queremos punição! Nós queremos que paguem aqueles que fizeram e se amedronte quem pretende fazer.
Mas os homens do poder continuam a chorar o leite derramado, se desulpando nos problemas sociais, apontando culpados, quase sempre e principalmente um único homem, que está lá para assinar as leis que eles não fazem, as redações arcaicas que eles não reformam ou as inutilidades que eles criam.

Nós gritamos por paz, sem nos darmos conta de que, muito bem colocados, os cartazes de Domingo diziam tudo: "A paz é fruto da Justiça". "A paz é a gente que faz". "A paz está dentro de nós". E mesmo assim, foi Paz que nós pedimos. Não foi Justiça.
Mas a palavra não dita traz consigo a força do silêncio. E esta força sim, foi capaz de erguer as bandeiras e as vozes, no dia 15 de Março.

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